Bohemian Rhapsody: público vaia cenas gays de filme do Queen
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Bohemian Rhapsody: público vaia cenas gays de filme do Queen

Espectadores brasileiros estariam vaiando cenas de Bohemian Rhapsody, que conta a trajetória da banda Queen e de seu líder, o ícone gay Freddie Mercury.

Todo bom fã de música sabe que Freddie Mercury foi vocalista do Queen. Além de líder de uma das maiores bandas de rock do mundo, ele é até hoje conhecido como um dos maiores ícones gays da história. Mas parece que parte dos brasileiros que estão indo assistir Bohemian Rhapsody, a cinebiografia do grupo britânico, desconhecem isso - e, pior, estão se revoltando com cenas homoafetivas de Freddie, interpretado no longa por Rami Malek.

Bohemian Rhapsody já é sucesso mundial. A trajetória do supergrupo arrecadou US milhões só no fim de semana de estreia. Nascido em Zanzibar, na costa leste da África, Freddie Mercury se mudou para Londres aos 17 anos depois de viver com a família na Índia. Em 1970, ele fundou o Queen com Brian May e Roger Taylor. Apesar de nunca falar a respeito de sua sexualidade em público, o cantor era abertamente bissexual. Ele morreu em 1990, aos 45 anos, por complicações de HIV depois de passar a década de 1980 ao lado do companheiro Jim Hutton, que faleceu de câncer 20 anos depois.

Apesar de todo esse histórico tão conhecido por todo mundo, desde a estreia de Bohemian Rhapsody no Brasil, em 24 de outubro, internautas têm relatado no Twitter casos de homofobia nas salas de exibição. Alguns espectadores estariam vaiando, fazendo comentários preconceituosos ou até mesmo deixando os cinemas durante as cenas que mostram flertes e beijos do vocalista do Queen. As histórias vêm de todos os cantos do país.

Tudo começou quando a usuária @anarcobs comentou os boatos que já corriam no boca a boca da vida real: "que doideira ler que teve gente em sessão de Bohemian Rhapsody vaiando quando tinha cena de flerte/beijo LGBT / os caras foram pro cinema assistir um filme sobre o Freddie Mercury esperando O QUE exatamente". Ela recebeu mais de 200 relatos. "Na sessão em que fui, um cara foi embora", contou a sul-matogrossense Paula Belchior (@paulabel). "Tinha um cara na minha sala que na hora do beijo falou 'ah isso não' e saiu tipo???????????? O CARA É UM ÍCONE DA MÚSICA E CARA SAI DA SALA BICHO COMO ASSIM", respondeu a usuária @Tanara_twt, de Belém (PA).

Muitos desses relatos de homofobias durante exibições de Bohemian Rhapsody foram associados a supostos eleitores do recém-eleito presidente Jair Bolsonaro (PSL), político da extrema-direita brasileira famoso por suas declarações homofóbicas. "Na minha sessão gritaram 'Bolsonaro' logo no primeiro beijo. Não pararam de dizer durante todo o filme 'que nojo', 'que tristeza'. Que tristeza digo eu, que plateia é essa? Achei que eu tinha sido azarada, pelo visto a idiotice é generalizada", relatou Rosimar Guarize (@rguarize). Foi o caso também da usuária Bruna Melo (@mbrunamelo), que é de Recife (PE): "Na sessão que a minha mãe foi gritaram 'Bolsonaro vai pegar vcs' na cena do beijo. O pior de tudo é que todo mundo riu".

Recentemente, a turnê de Roger Waters, líder do Pink Floyd, causou polêmica no país. O cantor, que é conhecido há décadas pelo posicionamento político de esquerda, dividiu a plateia ao exibir no telão de seus shows pelo Brasil o nome de Bolsonaro e outros políticos, como o presidente da Rússia Vladimir Putin e dos Estados Unidos Donald Trump, em uma lista de líderes chamados por ele de "fascistas". A campanha de Jair Bolsonaro chegou a entrar com uma representação contra Roger Waters no Tribunal Superior Eleitoral, ameaçando-o de prisão sob a alegação de que ele estava fazendo campanha ilegalmente a favor de seu adversário, Fernando Haddad (PT).

Enquanto isso, Freddie Mercury certamente se revira no túmulo...

Escrito por Gouvea Aline
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