China legaliza comércio de chifres de rinoceronte e ossos de tigre
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China legaliza comércio de chifres de rinoceronte e ossos de tigre

Um verdadeiro desastre para a biodiversidade e uma decisão que deixa as associações de proteção animal escandalizadas. No último dia 29 de outubro, a China anunciou a legalização do comércio de chifres de rinoceronte e ossos de tigre em seu território para fins "terapêuticos".

Não existirão mais rinocerontes na superfície da Terra em dez anos. E as diferentes raças de tigres do mundo provavelmente seguirão o mesmo triste caminho.

Decisão revoltante

A China anunciou no último dia 29 de outubro sua decisão de legalizar o comércio de chifres de rinoceronte e ossos de tigre para fins "terapêuticos". Mas nada de pânico, isso é apenas no Império do Meio! Apenas essas partes de animais de fazendas de criação poderão ser comercializadas.

O que é ridículo, afirmam com toda razão associações de proteção animal do mundo todo. Será claramente impossível rastrear e verificar a origem de um quilo de pó de queratina animal ou de um fêmur de tigre da Sibéria que acabará em uma sopa degustada avidamente por um chinês que deseja "tratar" seu reumatismo.

Por que isso pode ser o fim

A decisão chinesa é, com razão, considerada preocupante pelas associações de proteção animal como a WWF. Será bem difícil, praticamente impossível, definir com certeza qual chifre ou qual osso vem de uma fazenda de criação ou da natureza. Ou seja, legalizar essas vendas acaba por proteger os caçadores.

Vale lembrar que as diferentes espécies de tigre e de rinoceronte estão em risco crítico de extinção no planeta. Leigh Henry, diretora de política da fauna na WWF, fez um pedido na National Geographic:

"A WWF pede que a China mantenha a proibição do comércio de ossos de tigre e chifres de rinoceronte, proibição esta que é de grande importância na conservação dessas espécies emblemáticas. Ela deve ser ampliada para cobrir o comércio de qualquer parte ou produto derivado do tigre."

Destruindo os esforços

Mas, no decorrer dos últimos anos, o governo chinês parece ter assumido (pelo menos oficialmente) a rota da proteção da biodiversidade. Há 25 anos é proibido exportar ou importar esses produtos de animais em perigo de extinção no país.

A Federação Mundial de Sociedades de Medicina Chinesa retirou o chifre de rinoceronte e os ossos de tigre de sua lista de produtos reconhecidos. No final de 2017, a China subiu no conceito ao proibir o comércio de marfim em seu mercado interno. Mas essa nova decisão de legalizar ossos e chifres acaba com a conduta impecável do Império do Meio.

Grande baixa

De acordo com Debbie Banks, responsável pela campanha "Tiger" da Agência de Investigação Ambiental:

"A reputação que a China conquistou como líder na conservação após a proibição da venda de marfim em seu território fica em pedaços. A atualidade coloca seriamente em perigo a sobrevivência dos tigres selvagens ao estimular a demanda por partes de seus corpos. É uma demonstração chocante de desprezo pela opinião mundial."

Desaparecimento se aproxima

Como explicar essa decisão revoltante da China? Como sempre, os motivos são financeiros. Leigh Henry explica:

"Estamos preocupados há um bom tempo com as fazendas de tigres da China e com o número crescente desses estabelecimentos por lá. Os tigres em cativeiro são caros para alimentar e cuidar. Consequentemente, a medida que os números aumentavam, o governo chinês fez pressão para autorizar um comércio regulamentado dos produtos derivados do tigre. A decisão da China corresponde ao que muitos de nós temíamos há mais dez anos."

Escrito por Pedro Souza
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