Pedra usada como peso de porta há 80 anos era, na verdade, um meteorito de 100.000 dólares
Pedra usada como peso de porta há 80 anos era, na verdade, um meteorito de 100.000 dólares
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Pedra usada como peso de porta há 80 anos era, na verdade, um meteorito de 100.000 dólares

Uma simples pedra usada como peso de porta há mais de 80 anos em uma fazenda de Michigan acaba de ter sua verdadeira natureza revelada: trata-se de um meteorito de valor - tanto financeiro quanto científico - absolutamente excepcional!

Nada melhor que uma boa pedra de uns dez quilos para segurar uma porta, não? Solução ideal contra as correntes de ar, mas que nem sempre está à mão quando precisamos... Exceto quando esse peso de porta literalmente cai do céu!

Foi isso que aconteceu nos anos 1930 com um fazendeiro de Michigan, nos Estados Unidos. Em uma bela noite, uma explosão ensurdecedora quebrou o silêncio habitual da propriedade construída nas imediações da pequena cidade de Edmore.

Na manhã seguinte, o homem e seu filho encontraram a origem da explosão noturna: um meteorito tinha caído nas terras de sua fazenda e estava aninhado no fundo de uma cratera de impacto ainda enfumaçado.

Não muito impressionado com a descoberta, o fazendeiro e seu filho simplesmente pegaram essa estranha "pedra" ainda quente vinda do espaço, levando-a para a casa, onde ela virou... o famoso peso de porta desde então.

À venda: fazenda com meteorito

Em 1988, o filho do fazendeiro já adulto resolveu vender a propriedade familiar e o meteorito junto. Até porque não faz sentido vender uma casa sem seu peso de porta! O comprador é um homem da cidade vizinha, Grand Rapids. Durante trinta longos anos, assim como seus antecessores, ele não deu muita atenção para a pedra. Mas há pouco tempo, a lembrança da história contada pelo antigo proprietário na hora da venda surgiu em sua cabeça...

O homem, que quer permanecer anônimo, acabou submetendo essa antiga descoberta de mais de 80 anos a um especialista. O proprietário pediu uma avaliação do suposto meteorito a Mona Sirbescu, geóloga na Universidade Central de Michigan. Ele não tinha o menor conhecimento do objeto, mesmo vivendo há 30 anos com ele. Ainda que acostumada com esse tipo de coisa, a especialista teve que se render à evidência: aquela pedra não era como as outras.

"Durante 18 anos a resposta foi categoricamente "não" - nem meteoro nem meteorito", relatou a cientista em um comunicado. Mas dessa vez, "pude dizer na hora que se tratava de algo excepcional".

Um tesouro incrível

Depois de uma breve análise, Mona Sirbescu fez uma investigação profunda desse tesouro em potencial. E o resultado não demorou: o que agora é chamado de "meteorito de Edmore" tem um teor de níquel de quase 12 por cento. Uma composição que lhe dá um valor excepcional - em todos os sentidos-, como revela Mona Sirbescu.

"É o exemplar mais precioso que já tive em mãos em toda minha vida, tanto do ponto de vista científico quanto financeiro", afirma a cientista, que agora tenta descobrir quais elementos raros podem se esconder entre os minerais que compõem o meteorito de 10 quilos. Um tesouro que pode valer - por baixo - uma boa centena de milhares de dólares... Muito mais que um simples peso de porta!

Sortudo do jeito que é, o proprietário do meteorito de Edmore pode ter que encontrar outra solução para as correntes de ar logo logo... Objeto de especulação, a pedra vinda do espaço não deve demorar para sair definitivamente da fazenda onde encontrou abrigo por mais de oito décadas.

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Um peso de porta a ponto de virar uma peça de museu

"O que normalmente ocorre nessa fase é que os meteoritos podem ser vendidos ou expostos em um museu, ou cedidos a colecionadores e vendedores buscando lucro", explica Mona Sirbescu, não sem uma pontinha de amargura... Com seus 10kg, o meteorito passa a ocupar a sexta posição entre os maiores meteoritos encontrados no Michigan.

Segundo as últimas notícias, o Smithonian Institution e um museu de mineralogia do Estado do Maine disputam o tesouro. É atrás de uma dessas vitrines que o meteorito de Edmore vai parar. Como exposição... e não peso de porta!

Escrito por Pedro Souza
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