Homofóbicos são pessoas menos inteligentes, confirma a ciência

Homofóbicos são pessoas menos inteligentes, confirma a ciência

Recente estudo de uma universidade australiana afirma que ser homofóbico pode mesmo significar ter menos inteligência. Entenda!

Homofóbicos são indivíduos dotados de menos inteligência, assegura um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália. Segundo os pesquisadores, que analisaram mais de 11 mil pessoas, aquelas que tinham mais habilidades cognitivas, ou seja, mais inteligentes aos olhos da ciência, tendem a ser menos preconceituosas.

 A pesquisa, realizada entre 2012 e 2015, foi publicada recentemente pelo jornal científico Intelligence. Nela, inicialmente analisavam-se as habilidades cognitivas dos participantes e, depois, suas atitudes em relação à luta por respeito e igualdade à comunidade LGBT, especialmente em assuntos relacionados aos direitos para casais homossexuais. 

De acordo com os especialistas, o resultado é válido independentemente do nível de educação ou da condição financeira dos participantes. Estudos semelhantes já tinham sido feitos nos Estados Unidos, com conclusões similares, mas esta foi a primeira investigação do tipo fora do território americano, provando que a relação da homofobia com a falta de inteligência não é característica apenas de uma região. "Essas são correlações conhecidas entre baixas habilidades cognitivas e o apoio à atitudes preconceituosas ou contra a igualdade", escrevem os cientistas. "O nosso estudo contribui para o conhecimento em torno do tema provendo a primeira análise entre a habilidade cognitiva e atitudes contra questões LGBT com uma população fora dos EUA."

Os riscos para a população LGBT

Pautas conservadoras tramitam no Congresso Nacional, há discursos de ódio em diversos espaços e o Brasil segue sendo o campeão mundial em crimes de LGBTfobia – de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2017, 445 pessoas LGBTs foram mortas no país, número 30% maior do que o registrado no ano anterior.Definitivamente não são tempos fáceis para quem luta por igualdade social e direito das minorias no Brasil e em todo o mundo. Porém, é em momentos como esse que mais se faz necessário discutir políticas públicas e iniciativas para acolher essas pessoas na sociedade.

 No sul do Rio de Janeiro, um caso recente

Um caso de homofobia sofrido por um casal de lésbicas chamou a atenção e causou revolta nas redes sociais, nesta segunda-feira (11). Donas de uma loja de doces, no bairro Campos Elíseos, na cidade de Resende, no sul Rio de Janeiro, as empresárias foram vítimas de discriminação de uma cliente.Imagens capturadas da tela do celular mostram mensagens trocadas entre Enayle Psi, de 27 anos, e a cliente que pedia para falar com o dono do estabelecimento, pois estaria constrangida de ser atendida por uma uma “moça”, escrito, assim, entre aspas.

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A cliente se justificou dizendo estar envergonhada, que uma amiga da igreja havia ficado aborrecida por receber doces do local. Apesar de se dizer não preconceituosa, ela acredita que a orientação sexual das proprietárias pode atrapalhar nas vendas. “Não tenho nada contra, mas como sua empresa trabalha com os mais diversos tipos de pessoas, não acho que passe uma boa imagem uma sapatão atendendo” escreveu a mulher na mensagem.Ela ainda hostilizou as donas da loja xingando-as, além de menosprezar o trabalho do casal. “Esperar o que de duas mulecas, que não sabem nada da vida. Continuem vendendo doce mesmo, não vão conseguir nada além disso com essa escolha que fizeram”, provocou.

Segundo Enayle, a divulgação do caso foi para criar exemplo para outras pessoas que também sofram algum tipo de preconceito como este. “Para aqueles que assim como nós lutam pela liberdade de amar, não recuem, não se intimidem, não somos mais minoria”, escreveu.Mesmo acostumada com o preconceito, a doceira afirma que ficou nervosa com as declarações preconceituosas. “É uma situação tão desconfortável que a vontade é fingir que não aconteceu, mas não podemos! Por isso decidimos juntas, postar [nas redes sociais]. Não imaginávamos a repercussão, e ainda estamos tentando assimilar. Recebemos tanto amor, que aquele sentimento ruim gerado pelo preconceito quase não existe mais”, afirmou ao agradecer pelas mensagens de apoio.

No Facebook, o post publicado na página da doceria ultrapassou o numero de 10 mil curtidas e 5 mil compartilhamentos.O casal registrou o Boletim de Ocorrência na delegacia. “Não queremos o mal de ninguém, o ódio se combate com amor, o preconceito com informação, divulgação, com voz. Não queremos um ódio direcionado, postamos para reforçar que o preconceito existe, e nos afeta de várias formas”, disse.

Pedro Souza
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