Irã: ela foi condenada a 33 anos de prisão e 148 chicotadas

Irã: ela foi condenada a 33 anos de prisão e 148 chicotadas

Esta advogada iraniana se tornou o símbolo da luta contra a tirania no Irã. Nasrin Sotoudeh defende prisioneiros políticos, mulheres que se recusam a utilizar o véu e luta contra a pena de morte.

“Eu sei que eles me prenderam porque eu defendo os direitos humanos, das ativistas feministas e luto contra a pena de morte. Mas eu não vou deixar que eles me calem ".

Foi com esse corajoso e sincero discurso que a advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh, iniciou, por alguns dias, uma greve de fome. Depois de ser levada à prisão Evin, em Teerã, Sotoudeh se tornou símbolo da luta dos direitos humanos no Irã, mas também o símbolo da feroz repressão do regime iraniano. Em 11 de março, ela viu sua sentença de cinco anos ser passada para 33 anos e ainda receberá 148 chicotadas por várias acusações, incluindo "incitamento à corrupção e deboche ".

Nasrin Sotoudeh luta contra o uso obrigatório do hijab

Sotoudeh se sobressai pela sua coragem e compromisso em defender manifestantes que se opõem às leis da República Islâmica.  Como é o caso das jovens mulheres que desafiam o uso obrigatório do véu (hijab) ao saírem, sem ele, em espaços público. "Nasrin não tem medo de pegar casos muito sensíveis que outros advogados evitariam", diz Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e ex-cliente de Sotoudeh.

O uso do véu no Irã

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Obrigatório desde 1979, logo depois da Revolução Iraniana e a instauração da república, o hijab continua sendo motivo de revolta no país. Além de serem forçadas a utilizarem o hijab, as mulheres iranianas são proibidas de se maquiarem e obrigadas a usar roupas que cubram suas pernas e braços. O não cumprimento dessas regras é algo passível de punição severa. Muitos movimentos contra as leis extremistas do país já foram feitos. No ano passado, por exemplo, uma jovem iraniana chamada Movahed decidiu afrontar o estado e apareceu erguendo o hijab no centro da cidade de Teerã. A moça foi detida logo em seguida.

Fonte: Le Monde

Imagem: Courrier International

• Andressa Zabeu
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