Os cães são capazes de mentir para os humanos para conseguir o que querem
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Os cães são capazes de mentir para os humanos para conseguir o que querem

Uma especialista suíça em comportamento canino realizou uma experiência surpreendente com um grupo de trinta cães. Submetidos a dois donos - um bem generoso e outro mais mesquinho em guloseimas -, os animais se mostraram surpreendentemente dedicados a analisar a situação e agir de acordo para obter o que queriam.

O cão tem fama de ser um dos animais mais espertos. Mas a inteligência do melhor amigo do homem parece ir bem além do que poderíamos imaginar até agora, como revelou um estudo suíço. De acordo com os trabalhos de uma cientista da Universidade de Zurich, publicados na revista Animal Cognition, para conseguir guloseimas, os canídeos domésticos seriam capazes de mentir para os humanos.

Na origem dessa revelação surpreendente, uma pesquisadora em cognição canina, Marianne Heberlein, do departamento de biologia da evolução e estudos experimentais da universidade suíça. Enquanto observava seus próprios cães, a cientista notou um comportamento divertido: um deles fazia cara de que pegava alguma coisa interessante do lado de fora para incitar seus companheiros a saírem da cama e, dessa forma, ele ocupava o lugar deles no confortável descanso.

Para descobrir se o cão usaria um truque desses com seus donos, Marianne Heberlein e sua equipe usaram trinta cães, todos voluntários é claro, a quem os cientistas atribuíram dois companheiro humanos com comportamentos opostos.

Dois donos com papéis antagonistas

O primeiro escolhia uma guloseima da ração e gentilmente dava ao animal com recompensa. O segundo, por sua vez, aliciava o cachorro mostrando alimento, mas o colocava no bolso em seguida, de modo que o animal não aproveitava da guloseima. Com a repetição, esse teatro permitiu que o cachorro identificasse o mais generoso dos dois donos, e se dirigisse espontaneamente a ele para obter a recompensa.

Quando esses papéis já estavam bem enraizados no animal, foi ele que recebeu a missão de atrair seu companheiro humano para a comida. Quando cada um dos donos dava a ordem para que ele lhe mostrasse a comida, o cachorro se dirigia até uma das caixas colocadas a sua frente. Fiéis a sua função, o primeiro dono oferecia comida à vontade ao animal, enquanto o segundo a segurava invejosamente.

Terceira etapa da experiência: propor aos cães três caixas fechadas. A primeira continha uma linguiça suculenta, a segunda um biscoito seco - um pouco menos apetitoso, e a terceira estava completamente vazia. Espertinho, o animal escolhia atrair o mais generoso dos donos para a caixa com a linguiça com mais frequência do que o segundo, de quem ele sabia que não receberia nada. Ele normalmente era levado pelos cães para a caixa vazia. Garantia de obter o máximo de comida.

Uma incrível capacidade de adaptação

"Eles mostraram uma flexibilidade impressionante de comportamento. Eles não aderem somente a uma regra rigorosa, mas pensam nas diferentes opções que se abrem para eles", explica Marianne Heberlein, que se surpreendeu também com a rapidez com a qual os animais adotaram um comportamento ótimo.

"Eles foram capazes de diferenciar os dois donos bem rápido. Não foram necessárias etapas extras de aprendizagem. Outros animais, como os macacos, normalmente precisam de dezenas de repetições para aprender lições parecidas", afirma Marianne Heberlein. Fiel e dedicado, o melhor amigo do homem não é tão obediente quando se trata de comida...

Escrito por Agostinho De Freitas
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