Cadela vítima de maus-tratos inspira mudanças de leis no Reino Unido

Cadela vítima de maus-tratos inspira mudanças de leis no Reino Unido

Vítima de maus tratos, a cadelinha Lucy inspirou profundas mudanças nas leis britânicas.

Entrando para a história

A história da cadelinha Lucy comoveu milhares de pessoas no mundo todo e serviu até mesmo de inspiração para que algumas leis do Reino Unido, local onde morava o animal, fossem estabelecidas.

Lucy é uma cadela com pedigree, da raça cavalier king charles spaniel. Por ser uma cachorrinha de raça pura, ela foi condenada a uma vida de sofrimentos: ela era forçada a se reproduzir, engravidar e dar à luz a dezenas de filhotes para serem colocados à venda por possuírem também raça pura. Cadelas assim são geralmente vítimas de maus tratos e condições insalubres. Quando foi resgatada, Lucy estava com um estado de saúde deplorável: ela estava sofrendo com a epilepsia, problemas na coluna, pele e principalmente no quadril, já que estava constantemente grávida e em processo de parto.

A história da pequena cadelinha deixou as pessoas muito abaladas, e um grande grupo começou a reivindicar mudanças nas leis sobre a questão das "fábricas de filhotes", ou seja, cadelas que são colocadas exclusivamente para gerar filhotinhos; neste processo, elas geralmente são também maltratadas no processo. O governo britânico ouviu o chamado dos ativistas e decidiu modificar as leis no que tange a reprodução de animais de estimação. Prevista para começar a valer a partir de 2020, a nova lei proíbe a procriação de filhotes para vendas  e pune os tutores que deixam os animais em situações degradantes. Outro ponto de destaque é a proibição também de separar os filhotes recém nascidos de até seis meses das mães, inibindo a participação de terceiros (ou seja, pessoas que não são os donos de direito) na procriação dos pets. Certamente, um grande avanço nas leis para melhorar a qualidade de vida dos bichinhos de estimação.

Campanha da "Lei Lucy"

Após ser resgatada, Lucy ganhou seu próprio perfil nas redes sociais e conquistou o coração dos internautas. Em sua página no Instagram, ela ainda faz o maior sucesso, mesmo tendo falecido há pouco tempo. "Estava claro que pelo estado físico dela que foi submetida a condições terríveis. Mas, com muita paciência, Lucy acabou desfrutando felicidade na vida, apesar de curta", contou a ativista Lisa Garner, que adotou Lucy, em entrevista ao jornal Mirror. Lucy já tinha cerca de 5 anos quando foi encontrada toda machucada, mas segundo os veterinários, ela viveu uma vida normal após o resgate, e pôde ter um gostinho da liberdade.

Um ano após a morte da cadelinha, foi criada a campanha da "Lei Lucy", que reivindicava melhores condições para os animais e a proibição das "fábricas de filhotes". Felizmente, a campanha teve um final feliz, e foi apoiada também pelas mais variadas celebridades britânicas na época.

E no Brasil?

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No Brasil, a lei diz que é imprescindível que o criador comercial possua licença, sendo também obrigatório o acompanhamento de um veterinário. O problema, no entanto, é a falta de fiscalização. Recentemente, foi aprovado o aumento da pena para o crime de maus tratos aos animais, passando a ser de até quatro anos de prisão; antes, a sentença era apenas de um ano.

Fonte: BBC Brasil Imagem: Instagram/@lucytherescuecavalier 

• Andressa Zabeu
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