Um verdadeiro duelo sobre a caça às baleias aconteceu aqui no Brasil

Um verdadeiro duelo sobre a caça às baleias aconteceu aqui no Brasil

Aconteceu aqui no Brasil em setembro a reunião anual da Comissão Baleeira Internacional (CBI). Uma reunião marcada por debates bem intensos, com o Japão querendo reexaminar a moratória internacional sobre a caça aos grandes mamíferos marinhos, adotada em 1986.

A Comissão Baleeira Internacional (CBI) foi aberta esse ano com um discurso feito pelo ministro do meio ambiente, Edson Duarte, explicando aos membros presentes que não é tempo de recuar e sim de avançar, lembrando também que a CBI tem o dever de impulsionar decisivamente a preservação dos cetáceos do planeta.

Oposição do Japão

Bom, a Comissão Baleeira Internacional é presidida atualmente por um japonês, Jõji Morishita. Um país conhecido por sua caça aos grandes mamíferos marinhos, infelizmente.

Morishita declarou, no entanto, esperar que essa reunião de 2018 culminasse em um melhor entendimento entre os países pró-caça (Japão, mas Islândia e Noruega também) e os que se opõem a essa prática cruel.

A ideia? "Mudar o modelo, para sair da rejeição mútua para o respeito mútuo", usando os termos do presidente da CBI.

Discurso duplo?

Lindas intenções que podem estar escondendo um discurso duplo do representante nipônico.

"Nosso desafio nessa reunião é saber se podemos conciliar as duas posições ou encontrar uma maneira de concordar ou discordar sempre pensando no futuro, mais do que gastar nosso tempo brigando", explicou M. Morishita na abertura da comissão em Florianópolis.

Mas ninguém esquece que o Japão prática uma caça comercial intensiva de grandes mamíferos marinhos disfarçada de "vontade científica".

A Islândia e a Noruega assumem abertamente a caça comercial, explicando sem muito fundamento científico que as populações mundiais de cetáceos já se reconstituíram suficientemente para que essa caça desastrosa para a saúde dos oceanos possa ser retomada.

Esses três países chegaram com a intenção de apresentar à Comissão textos favoráveis ao aumento da pesca de grandes mamíferos marinhos.

Defensores ferozes

"A proposta do Japão é aleatória do ponto de vista processual e remete a Comissão Baleeira Internacional a uma época em que presidia operações de caça insustentáveis", explicou Leigh Henry, do Fundo mundial para a natureza WWF.

O Japão trouxe uma proposta de "caça sustentável", que foi logo rejeitada pelos países defensores desses cetáceos, como Austrália, Nova Zelândia e União Europeia.

O Brasil se posicionou afirmando que a caça às baleias não tem mais sentido hoje em dia, já que o consumo de carne do grande mamífero marinho despencou em todo o planeta. O país sede da reunião apresentou um objetivo ambicioso: permitir que as populações de baleias se restaurem a ponto de recuperar os números anteriores ao período industrial.

A reunião se encerrou em 14 de setembro. Foi aprovada a "Declaração Florianópolis", documento que defende os direitos e a proteção às baleias e mantém a moratória de caça ao mamífero marinho.

• Bruna Moura
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