Copa do Mundo: assédio contra jornalistas revolta torcedores

Copa do Mundo: assédio contra jornalistas revolta torcedores

Além do assédio a torcedoras, jornalistas mulheres também são alvo de piadas e abuso durante a Copa do Mundo.

O lamentável episódio de assédio de brasileiros contra uma mulher russa que viralizou nas redes sociais, infelizmente, não foi o único na Copa do Mundo. O mundial já está marcado por inúmeros relatos e vídeos que têm causado revolta nas internautas. Além das torcedoras, jornalistas mulheres também têm sido alvo constante do machismo no país.A cobertura esportiva é tradicionalmente estrelada por homens.

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Na Copa do Mundo da Rússia 2018, as mulheres ganharam espaço significativo na imprensa mundial. Mas a mentalidade dos fanáticos por futebol não parece ter acompanhado a evolução.No final de semana, um torcedor russo tentou beijar a repórter da TV Globo Júlia Guimarães antes da partida entre Senegal e Japão. Ela interrompeu a transmissão ao vivo para repreender o desconhecido e deu um show de empoderamento e feminismo: "Nunca mais faça isso com uma mulher. Eu não permiti que você fizesse isso. Respeito", disse em inglês.

O vídeo virou notícia, assim como outros casos.A jornalista colombiana Julieth Gonzalez Theran, da Deustch Welle Español, foi vítima de um dos casos mais chocantes. Também durante uma transmissão ao vivo na cidade de Saransk, ela foi interrompida por um torcedor, que a beijou no rosto e tocou um de seus seios. "RESPEITO! Não merecemos este tratamento. Somos igualmente valorosas e profissionais", pediu a jornalista em seu perfil no Instagram.

Mais tarde, o torcedor pediu desculpas publicamente à profissional.Correspondente russa, a jornalista Barbara Gerneza também passou maus bocados ao entrevistar um grupo de 14 brasileiros, que entoaram uma música cheia de palavras de baixo calão relacionadas ao órgão sexual feminino. Um dos entrevistados ainda tentou beijá-la.Muitas profissionais têm batalhado para combater o assédio sexual no meio.

Foi o caso da campanha #DeixaElaTrabalhar, que uniu jornalistas de diversos veículos para protestar contra os frequentes ataques sofridos por elas no exercício da profissão. Júlia Guimarães é uma das 50 mulheres que participaram da iniciativa, lançada em abril nas redes sociais após a jornalista gaúcha Renata de Medeiros ser xingada e agredida no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.Torcedoras e profissionais agora esperam não ver mais casos de abuso como estes - não apenas até o fim da Copa do Mundo, mas que o machismo seja definitivamente banido do esporte.

• Bruna Moura
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