Nessas academias para mulheres, homens não entram nem como funcionários

Nessas academias para mulheres, homens não entram nem como funcionários

Na Turquia, uma rede de academias não permite homens nem como funcionários

Apenas mulheres

Em Istambul, na Turquia, uma rede de academias não permite a entrada de homens nem como funcionários. A proposta partiu de Bedriye Hulya após visitar uma academia com a mesma proposta nos Estados Unidos. Na porta, um cartaz já diz tudo: "Vá para a academia, entre em forma... viva feliz". Logo abaixo, o lembrete: "Nenhum homem é permitido no local". Atualmente, ela é a maior rede de academias do país, com mais de 650 mil membros; muitas das mulheres que treinam nela nunca haviam feito exercícios antes, e a proibição de homens foi um atrativo. Somadas, as clientes já perderam um total de 600 mil quilos.

Boa ou má ideia?

Em entrevista à BBC Turquia, Hulya contou que muitos não acreditavam que a ideia funcionaria: "Eles disseram: 'Não é possível - as mulheres não se exercitam na Turquia. Mas eu não olho para as coisas a partir dessa perspectiva, eu olho do ponto de vista da oportunidade". Após uma breve pesquisa, ela descobriu que a maioria dos locais dedicados a esportes na Turquia eram praticamente exclusivo de uso dos homens, desde clubes de bilhar até academias. Ela começou então a perguntar o motivo de as mulheres não praticavam exercícios: tempo, dinheiro e lugares para isso foram os motivos mais fortes.

Sendo assim, ela resolveu investir na ideia: ela abriu uma academia em cada bairro, com o atrativo de ser muito barata, com treinos rápidos de cerca de 30 minutos. O diferencial é que é voltado exclusivamente ao público feminino.

O professor de sociologia Nilufer Narli contou por que as mulheres se sentem intimidadas com as práticas esportivas: "Muitas mulheres na Turquia estão isoladas, não saem. Elas passam longas horas apenas assistindo à TV, mas precisam de atividades. Fazer esportes é importante para a saúde, e é importante para a expressão individual e também para conhecer outras pessoas", disse ele. Outro motivo, segundo ele, é a religião: "Hoje, na Turquia, muitas mulheres ainda enfrentam restrições religiosas tradicionais. Seu pai, irmão, marido, noivo, pode dizer-lhes que é melhor para elas não ir a lugares esportivos e muitas mulheres não têm recursos suficientes para participar de atividades recreativas ou sociais".

Influências

Com poucos exercícios, a obesidade entre mulheres na Turquia está crescendo bastante nos últimos tempos. A ideia de Hulya é atingir o maior número de mulheres possível, e segundo ela, academias mistas não seriam a melhor opção. "Não seria fácil ter as mulheres nas academias, se fossem mistas. A figura masculina em suas vidas - poderia ser o marido delas, poderia ser o filho delas, o pai - não os deixaria ir lá. E nós as queríamos na academia", relata ela.

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Dentro, a academia também é totalmente diferente das tradicionais. Para manter um custo baixo nos equipamentos (e assim abrir cada vez mais academias pelo país), nada funciona com eletricidade. Os equipamentos são todos hidráulicos, para atingir músculos diferentes e diminuir também a carga horária. Nelas, existe até mesmo um canto com livros e brinquedos dedicado aos filhos das mulheres, já que muitas levam os filhos para o treino.

 

Fonte: BBC Brasil Imagem: sabancivakfi.org 

Andressa Zabeu
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